Ah! as oficinas... Maravilhosas.
Buscou-se extrair do grupo presente o compromisso no sentido
da integração entre as oficinas. Participei das oficinas de Roteiro e
Direção.
Roteiro: José Roberto Torero
Direção: Jorge Bodanzky
Finalização: José Rubens Hirsch
Trilha sonora: David Tygel
Locais de realização das oficinas:
Hotel Ilha do Boi
UFES - Universidade Federal do Espírito Santo
DIÁRIO do Palco
Manhãs de Segunda, Terça e
Quarta.
A turma do roteiro era
formada por profissionais de áreas distintas. Deparava-se com advogado,
psicólogo e psicanalista, fotógrafo, jornalistas, filósofos, a galera do
audiovisual, atores, empreendedores. Enfim, alguns estudantes e demais com experiência
no mercado profissional e, eu por eu mesma, como a única publicitária
(representante da classe muito linda que é a publicidade) e com certo
(modestamente) conhecimento em produção audiovisual e cinema.
Sobre questões de formatação,
objetivo e desenvolvimento de roteiro eu procurava prestar atenção, observava e
absorvia as informações que selecionava. Também procurava interagir com todos,
sempre disposta a ouvir o que tinham a dizer. Acredito que perspectivas de um
mesmo assunto dispõem muita reflexão, tem muito valor.
A turma participava com afinco
das atividades. O pessoal estava muito empolgado. E eu também. Isso até o
momento que o orientador disse que odiava publicidade, (mas ele não fez por mal...
acredite!). Toda jururu juntei-me ao grupo dos rapazes de filosofia. Ainda
muito perturbada, contei o baque que foi o comentário e um deles disse: “A
verdade às vezes é radical”. E continuamos as atividades.
Manifestei-me quando se tratou da
questão da identidade capixaba, cujo objetivo era produzir filmes organizados por etapas de execução de pré-produção, produção e pós-produção. Assim, entre
muitas sugestões vindas da turma, definiu-se como temas a moqueca capixaba, a
alma capixaba e os alagamentos (também capixaba). Mais uma coisa, denomina-se vitoriense o
natural de Vitória-ES.
Durante a polêmica do debate um
advogado afirmou categoricamente que o congo só o capixaba tem. E claro que
protestei, mesmo concordando em parte, mas configurando que em questão de
volume é que a identidade está sem definição, ou é muito similar à vizinhança
com que faz divisa. A partir do episódio, logo o grupo foi formado. Três rapazes,
com temperamento bem diferente um do outro, e eu. Roteirizamos sobre a moqueca
capixaba, mas ainda faltava o tempero. E fui eleita mediadora entre as
oficinas.
Tardes de Terça e Quarta.
Agora vamos à oficina de direção.
Parte do grupo de roteiro se encontrava lá. Os demais mais afinados com
produção audiovisual. O que gerou boas discussões. Adoro discussões que
promovem conhecimento. Daí foi apresentado filmes com depoimentos de cineastas.
Foi ótimo saber que ficcional e documentário não tem diferença: é tudo filme.
Mas a “queda de braço” foi um
momento épico. A questão tratava-se da postura dos editais de incentivo à produção
audiovisual. Direcionar mais investimentos para filmes comerciais ou para filmes
que exploram a temática social e cultural, militante ideologicamente? Eis a
questão.
Foi um embate sensacional. Até o orientador
fixou o olhar nos (de)batedores. Resolvi falar de um artigo que dizia que devia
haver um nivelamento nos interesses de investimento. O orientador completou
dizendo que a indústria precisa ganhar dinheiro. Contudo, uma questão
respeitavelmente complexa.
Na tarde seguinte encontrei mais
dois membros para a equipe da produção do filme da moqueca. Ambos piraram no
desenvolvimento da ideia do roteiro. E pode-se definir o que seria gravado.
Tínhamos um roteiro, uma locação no boteco do Bigode, três atores profissionais
(da oficina de atores e o outro convidado), um cinegrafista e a versão de
Tarantela, esta gritada (cita os ingredientes da moqueca). Mas muitos diretores.
Manhã e Tarde da Quinta.
Na manhã seguinte mostrei para a equipe do roteiro, não o
que seria as alterações, mas o espichamento do roteiro. Até aí tudo bem. Logo a
tarde seria a gravação. E foi. Gravamos(ou-se) na vila de pescadores da Enseada do Suá e no boteco do
Bigode. (Apenas gostaria de ter sido avisada da extensão da escadaria que se
encontra no percurso). Entre encontros e desencontros, a moqueca foi preparada
pelo especialista em moqueca: Sir Bigode. Nossos queridos atores Fábio Samora, Jota
Jota e Markus Konká, que encenaram o mineiro e o baiano, estes amigos de um capixaba muito malandro. No final da
tarde a chuva batizou a produção do filme.
Manhã, Tarde e Noite da Sexta.
O dia D: de muita intriga,
confusão, surpresas, gentilezas, satisfação, modéstia... A nossa moqueca de
emoções.
Manhã de sexta-feira. Perdi minha
carona. A chuva insistia em
cair. Mas cheguei ao meu destino. Deparo-me com parte da
minha equipe e a equipe da próxima fase: a finalização. Aquela manhã eu me
senti desnorteada, de verdade. Foi desentendimento atrás do outro. A
finalização não entendia o roteiro, a turma do roteiro criticava alterações e
desmembramentos feitos pela turma da direção, os integrantes ali presentes não
se entendiam. Viiixe... E gente que se intrometia em conversa que não era
chamado (ô vergonha!). Pensei, pensei, pensei... Fui arejar os pensamentos. Até
que chega mais uma integrante da equipe, esta da direção. E pergunta? “Que
esquizofrenia estão fazendo com o filme?”. No fim das contas, nem eu sabia.
Como a turma do roteiro e da
direção precisou se ausentar, assim, supostamente, alguém haveria de
representar o grupo. Já era oficial. Até eu mesma tentei me ausentar, mas a
caçada não foi em vão. Encontraram-me! Sentei-me frente aos
responsáveis pela finalização. Expliquei a situação, a partir daí, foi possível
chegar a um acordo. Foi uma negociação até bastante amigável. Repare que antes
disso achei que ia para uma sala de interrogatório, com a luz baixa e
possivelmente seria torturada. Mesmo depois de tanto desatino, até almoço nos
foi oferecido, gentileza do Sr. Ivan, da equipe de finalização.
Após o almoço, continuou-se o
processo de finalização do filme. O ambiente se encontrava mais harmonioso e o
trabalho a todo vapor. Próximo do horário das apresentações dos produtos, “A
Moqueca” chegava ao teatro para, então, ser preparada pela orquestra. Toda a
trilha sonora seria apresentada ao vivo, portanto, aquele seria o momento de
definir músicas, entradas e cortes. Dirigi parte dos interesses do filme. No
finalzinho, alguns dos integrantes da equipe chegaram e definiram a maneira deles
a entrada da última música. Disse que não concordava, mas acatava por uma
questão de democracia. De qualquer forma a proposta é de experimentação. No
final das contas, um dos orientadores me abordou e disse que a minha direção
era a correta. Pulso firme não é desrespeito. Nem toda publicidade é do mal. Capiché.
Em seguida, foi possível apreciar
todos os filmes. A apresentação ao vivo da orquestra foi um primor, formidável.
Foram resultados imaginados e planejados em menos de uma semana. O êxito
alcançado por cada uma das equipes.
Eu acredito nas possibilidades,
você sabe que eu acredito que é possível produzir cinema e/ou audiovisual neste
país. Arte!
No final, pedi uma fotografia
para Jorge
Bodanzky.
Neste momento ele me disse: "Admirei sua coragem naquelas escadas".
E respondi: "Eu nunca abandono minha equipe".
Respeito, dignidade e trabalho em equipe: aprendi muito com meus professores.
Não poderia deixar de dizer que além de
profissionais reconhecidos pela competência,
Jorge Bodanzky, elegância e atitude
José Roberto Torero, divisível emoção
José Rubens Hirsch, o mais divertido de toda
a galáxia
David Tygel, disciplina e êxito
"Aos nossos mestres que nos convidaram a voar em sua
sabedoria, mesmo sabendo que este voar dependeria das asas de cada um de
nós".
Oficinas Integradas – por Tiago Firmino
Fimes: Alma Capixaba, A Moqueca e Tibum...!
https://www.youtube.com/watch?v=z8INhItDKTo
Agradecimentos
A todos os envolvidos na produção do filme A Moqueca.
Generosidade e modéstia são admiráveis.
Aos apreciadores de produções cinematográficas,
foi uma grata experiência a semana que estivemos reunidos.
Fonte: www.vitoriacinevideo.com.br/19vcv/

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