No final do inverno me convidaram
para ministrar palestra (ou curso) para um grupo étnico formado por mulheres
do Quilombo de Monte Alegre, de Cachoeiro de Itapemirim-ES, cujo tema trata de "cidadania e direitos da
mulher". Como não haviam definido a data para apresentação, logo eu
teria algumas semanas para definir a abordagem do conteúdo.
Fui pesquisar sobre as conquistas das mulheres no contexto
social a partir do século XIX. A pesquisa se estendeu aos primórdios da
descoberta das Américas. Mesmo consciente do êxito relativo à luta das
mulheres, a história oferece âmbitos distintos segundo a
descendência (étnica) da mulher.
Não desprezaria obras sobre a emancipação feminina como as
de Nísia Floresta. No entanto, a figura de heroínas como Nzinga e Maria Felipa,
entre tantas mulheres, histórias que ligam a África ao Brasil, foi o que mais
me inquietou. Eram princesas. Princesas sem a ocidentalização usual. Guerreiras,
reais ou fictícias, todas eram princesas e africanas. Portanto, mulheres com
desejos e vontades. Decididamente gostaria de entregar ao grupo de mulheres um espelho.
O mundo fabuloso que encontrei nas obras “Princesas
Africanas” e “O Casamento da Princesa” fez reluzir o princípio delicado e
valente que gostaria de gerar na apresentação. O conceito ganha seu título: Eu
Sou Princesa.
A influência nas cores da capa provém do Outubro Rosa. As
demais em estampas tipicamente africanas. Busquei propor faces, propriamente do
“encarar”, que considera, analisa e olha alguém nos olhos. Então, que vissem as
próprias características naqueles rostos.
A confraternização do lúdico com o real. O fragmento poético
que transforma seus versos em anseios alheios. A princesa que se revela a
mulher que lida com a vida e com todos ao seu redor. A mulher que faz
indagações ao mundo.
O tema cidadania tinha mesmo é que virar assunto, como se
diria, torna-se interessante e agradável. Encontrei o vídeo Conceito de Cidadania do Canto Cidadão, uma captação amadora, mas com uma mensagem proveitosa para iniciarmos a discussão. Logo, incluíam-se questionamentos
como “o que você entende por cidadania?”, “o que é ser cidadão?” e “a origem da
palavra cidadão?”, com o intuito de suscitar ideias. Com o texto A formação da Cidadania de caráter informativo somado à música Cidadão de Zé Ramalho, a atividade
sugere a análise de conteúdo a partir de questões que estabelecem a relação da
música com cidadania.
Direitos da mulher, a temática que demanda prudência para
ser discutida. Histórico, oportunidades e conhecimento dos próprios direitos, é
no que consiste a trindade de produções audiovisuais para o apoio ao ensino. As
alternativas comportam Mulher: 500 anos atrás dos panos, Conte Sua História- Luislinda Valois e ‘De Olhos Abertos’: uma campanha educativa sobre os direitos das mulheres. O material prepara o grupo de mulheres para receber o
teor da cartilha de prevenção à violência, pautada em informação, prevenção e
busca de ajuda. Para a conclusão optou-se pela produção Campanha Mulheres e Direitos – Delegacia.
Como material extra, organizei um conjunto de imagens que me
atraiu por se tratar de fotografias que revelam a presença das mulheres negras
em diferentes espaços na história do Brasil. Em especial, um artigo que
demonstra a mãe-preta presente no ambiente familiar, a fotografia da ama-de-leite
junto aos filhos de outras mulheres como o único registro que viesse a ter por
toda a vida. Em contrapartida, organizei capas da revista Vogue que traziam em
suas publicações mulheres negras, contemplando o histórico de cada uma. Além de
um singelo conto Menina Bonita do Laço de Fita, que valoriza a diversidade.
Contudo, o planejamento de aula foi aprovado. Logo será
apresentado para a turma de mulheres do Quilombo. Além da produção do documentário sobre a experiência do
grupo nas aulas e palestras.
Sugestões:
O Casamento da Princesa, de Celso Sisto
Princesas Africanas – caderno de leitura, de Vários Autores
http://www.studium.iar.unicamp.br/
http://demarcelaparaana.com/?p=5701
http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/alinemendeslima.pdf
http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_9750/artigo_sobre_a_conquista_do_espaco_pela_mulher_negra_na_sociedade_brasileira
http://sandraferreiraufba.blogspot.com.br/2009_07_05_archive.html
Cartilha dos direitos da mulher em:
http://www.unfpa.org.br/Arquivos/cartilha_direitos_mulher.pdf
Fragmentos da apresentação:
*não incluso na apresentação








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