domingo, 2 de dezembro de 2012

O Prêt-à-porter e a Contracultura - parte 1

Quando ainda estava na graduação, participava de um projeto experimental de revistas hipermidiáticas chamado de Revista NIC. No último semestre de vida da revista a equipe e eu decidimos, dentre muitos assuntos, pela temática prêt-à-porter.

Inicialmente, a proposta seria de indicar acadêmicos e pessoas próximas que representassem o estilo prêt-à-porter. Queríamos pessoas com estilo próprio - isso às vezes pode parecer estranho, exótico ou exuberante, mas que tivesse referências definidas no visual.

Optamos por sete personagens. Produzimos um belo editorial com fotografias em estúdio, design estilizado com a personalidade de cada personagem, além de uma entrevista reunindo o grupo. No entanto, uma de nossas personagens não poderia comparecer por causa de suas obrigações profissionais.

Rosa, a trocadora de ônibus. Que figura inusitada é aquela mulher. A recepção ao embarcamos no ônibus é com muita estampa de onça (animal print), muito dourado e brilho, e laços delicados. O cabelo vermelho e cheio de cachos para um rosto maquiado primorosamente. A cadeira adornada como uma poltrona de sala de estar. E próximo ao motorista ficava uma oncinha de pelúcia. É uma sensação de boas vindas que reveste o ambiente.

Após tentativas frustradas devido à compatibilidade de horários, foi numa tarde com garoa que finalmente conseguimos embarcar no ônibus que a Rosa cumpria seu itinerário. Como já havíamos avisado a empresa de transporte coletivo e a própria Rosa sobre a gravação, estavam a nossa espera. E fomos muito bem recebidas. Débora e eu tínhamos um roteiro a recorrer. Entrevistamos amigos da Rosa, passageiros e o motorista. Interessava-nos saber como é o olhar das pessoas a respeito do estilo da Rosa. Ela nos recebeu com amabilidade e disposta a nos ajudar em nosso trabalho.

Contudo, pudemos averiguar que a Rosa é uma pessoa muito querida por todos. E mesmo que seu visual cause de imediato certo estranhamento, sua graciosidade logo entusiasma.

Débora, Lucrecia e eu decidimos que o documentário se chamaria Rosa da Ocasião. Pois, é como a Rosa define o próprio estilo.


Ela nos disse que gostaria muito de ser enfermeira. Desejamos sorte!

*Desde o documentário não tivemos mais notícias sobre a Rosa. 

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