Quando ainda estava na graduação, participava de um projeto
experimental de revistas hipermidiáticas chamado de Revista NIC. No último
semestre de vida da revista a equipe e eu decidimos, dentre muitos assuntos, pela
temática prêt-à-porter.
Inicialmente, a proposta seria de
indicar acadêmicos e pessoas próximas que representassem o estilo prêt-à-porter.
Queríamos pessoas com estilo próprio - isso às vezes pode parecer estranho,
exótico ou exuberante, mas que tivesse referências definidas no visual.
Optamos por sete personagens.
Produzimos um belo editorial com fotografias em estúdio, design estilizado com
a personalidade de cada personagem, além de uma entrevista reunindo o grupo. No
entanto, uma de nossas personagens não poderia comparecer por causa de suas
obrigações profissionais.
Rosa, a trocadora de ônibus. Que
figura inusitada é aquela mulher. A recepção ao embarcamos no ônibus é com muita
estampa de onça (animal print), muito dourado e brilho, e laços delicados. O
cabelo vermelho e cheio de cachos para um rosto maquiado primorosamente. A cadeira
adornada como uma poltrona de sala de estar. E próximo ao motorista ficava uma
oncinha de pelúcia. É uma sensação de boas vindas que reveste o ambiente.
Após tentativas frustradas
devido à compatibilidade de horários, foi numa tarde com garoa que finalmente conseguimos embarcar no ônibus que a Rosa cumpria seu itinerário. Como já
havíamos avisado a empresa de transporte coletivo e a própria Rosa sobre a
gravação, estavam a nossa espera. E fomos muito bem recebidas. Débora e eu
tínhamos um roteiro a recorrer. Entrevistamos amigos da Rosa, passageiros e o
motorista. Interessava-nos saber como é o olhar das pessoas a respeito do
estilo da Rosa. Ela nos recebeu com amabilidade e disposta a nos ajudar em
nosso trabalho.
Contudo, pudemos averiguar que a
Rosa é uma pessoa muito querida por todos. E mesmo que seu visual cause de
imediato certo estranhamento, sua graciosidade logo entusiasma.
Débora, Lucrecia e eu decidimos
que o documentário se chamaria Rosa da Ocasião. Pois, é como a Rosa define o
próprio estilo.
Ela nos disse que gostaria muito
de ser enfermeira. Desejamos sorte!
*Desde o documentário não tivemos
mais notícias sobre a Rosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário